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Doméstica grávida agredida por ex-patroa no MA diz que perdeu 50% da audição após agressões

Doméstica grávida agredida por ex-patroa no MA diz que perdeu 50% da audição A empregada doméstica Samara Regina, de 19 anos, afirmou em vídeo postado nas...

Doméstica grávida agredida por ex-patroa no MA diz que perdeu 50% da audição após agressões
Doméstica grávida agredida por ex-patroa no MA diz que perdeu 50% da audição após agressões (Foto: Reprodução)

Doméstica grávida agredida por ex-patroa no MA diz que perdeu 50% da audição A empregada doméstica Samara Regina, de 19 anos, afirmou em vídeo postado nas redes sociais nessa quinta-feira (14), que perdeu 50% da audição após ser agredida e torturada pela ex-patroa, Carolina Sthela na Grande São Luís. Grávida de seis meses, ela disse que procurou atendimento médico após sentir dor e desconforto nos dois ouvidos. A empresária suspeita das agressões está presa desde 7 de maio, em São Luís. “Bom, como consequência das coisas que aconteceram [as agressões], eu tava ouvindo muito baixo, mas não achei que era algo tão sério, mas aí eu comecei a sentir muita dor ao dormir, ou com barulho muito alto, aí eu resolvi fazer essa consulta. A jovem afirmou que o diagnóstico ainda não é definitivo. "É bom, não é conclusivo ainda, mas com base no exame que eu fiz, aparentemente eu perdi 50% da minha audição dos dois lados”. Samara relatou que, em alguns momentos, tem dificuldade para ouvir e até para perceber a própria voz. Ela disse que ficou assustada e chegou a se desesperar ao notar o problema, mas que agora tenta manter a calma enquanto aguarda o resultado dos exames. “Fiquei um pouco assustada, me desesperei na hora, mas agora eu tô tentando lidar sem me desesperar, até porque tudo que eu sinto o Arthur [o bebê] sente, então tem que manter a calma.” A jovem informou que fará uma nova consulta na próxima semana e que, até lá, espera que esteja tudo bem e que não seja necessário usar aparelho auditivo. Na última semana, o governador do Maranhão, Carlos Brandão, anunciou em uma rede social que Samara será contratada pelo governo do estado como recepcionista e deverá receber assistência e auxílios. A Comissão de Direitos Humanos (CDH) do Senado Federal aprovou, na quarta-feira (13), o requerimento da senadora Eliziane Gama (PT-MA) para acompanhar o caso. A medida prevê uma diligência no município para acompanhar de perto as investigações da Polícia Civil. LEIA TAMBÉM: Saiba quem é a patroa presa por agredir empregada grávida no Maranhão CRONOLOGIA: Tortura, áudios e prisão marcam caso de doméstica agredida no MA O QUE SE SABE: acusação de roubo, agressões e áudio com confissão no MA Empresária e PM acusados das agressões são investigados por seis crimes Carolina Sthela está presa no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís. Já o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, acusado de participar das agressões, está detido no Comando Geral da Polícia Militar. Os dois são investigados pelos crimes de: Tentativa de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima); Tortura; Cárcere privado; Injúria, calúnia e difamação. Carolina Sthela afirmou à Polícia Civil que o anel citado no caso estava avaliado em R$ 5 mil. Ela também disse estar grávida de três meses e ter problemas de saúde. Relembre o caso Carolina Sthela Ferreira dos Anjos foi presa suspeita de agredir e torturar a empregada doméstica grávida Samara Regina, de 19 anos Reprodução Samara Regina foi agredida no dia 17 de abril, na casa onde trabalhava, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís. Segundo a doméstica, ela sofreu puxões de cabelo, socos e murros e foi derrubada no chão. Durante as agressões, tentou proteger a barriga por estar grávida. De acordo com o depoimento, a ex-patroa acusou a jovem de ter roubado um anel e passou horas procurando o objeto. O anel foi encontrado em um cesto de roupas sujas. Segundo a vítima, as agressões continuaram mesmo após a joia ser encontrada. Ela afirmou ainda que, em determinado momento, foi ameaçada de morte por Carolina Sthela caso denunciasse o caso à polícia. “Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam", disse a jovem. No depoimento, a jovem relatou que um homem, apontado pela polícia como o policial militar Michael Bruno Lopes Santos, também participou das agressões. Segundo ela, ele foi até a casa para intimidá-la com violência. A vítima o descreveu como "alto", "forte" e "moreno". A OAB classificou o caso como tortura agravada, além de lesão corporal, ameaça e calúnia. Defesa alega que empresária pode ter transtornos mentais Defesa diz que patroa acusada de agressões pode ter transtornos psicológicos O advogado de Carolina Sthela disse em entrevista à TV Mirante que a empresária pode ter transtornos mentais. A alegação deve ser usada pelo advogado na defesa da mulher. “A Carolina, ela provavelmente tem algum distúrbio psicológico, ou borderline, ou dupla personalidade, e isso deve ser levado em conta”, disse o advogado de defesa Otoniel D’Oliveira Chagas. A mudança na estratégia da defesa ocorre após a conclusão de laudos do Instituto de Criminalística da Polícia Civil, que confirmaram que os áudios com supostas confissões de agressões contra Samara são da empresária. A polícia aguarda o resultado da perícia em um equipamento de DVR apreendido na residência da empresária em Paço do Lumiar. O aparelho armazena imagens das câmeras internas e pode fornecer provas visuais das agressões relatadas por Samara. Na segunda-feira (11), a Polícia Civil ouviu Yuri Silva do Nascimento, marido da empresária. Ele foi liberado após prestar depoimento. A polícia informou que a empresária responde a mais de dez processos. Em um deles, de 2024, foi condenada por calúnia, após acusar falsamente uma ex-babá de roubar uma pulseira de ouro. A pena de seis meses em regime aberto foi substituída por serviços comunitários e pagamento de indenização de R$ 4 mil por danos morais. Doméstica recebeu R$ 750 por jornada de quase 10h com acúmulo de funções A jovem, de 19 anos, afirmou que recebeu R$ 750 por pouco mais de duas semanas de trabalho na casa da empresária. Segundo ela, acumulava funções e trabalhava quase 10 horas por dia. O g1 teve acesso ao depoimento da jovem, prestado no último dia 6 de maio. Ela detalhou a rotina de trabalho na casa da ex-patroa. Entre as atividades que deveriam ser feitas pela jovem, estavam limpar a casa, cozinhar, lavar e passar roupas, além de cuidar de uma criança de seis anos, filho da ex-patroa. O pagamento foi feito de forma fracionada, por meio de transferências em nome de terceiros. De acordo com a vítima, o primeiro contato com a empresária ocorreu por um aplicativo de mensagens, no início de abril. Na ocasião, foi oferecido um mês de trabalho e marcado um encontro na residência. A jovem disse que começou a trabalhar sem combinar o salário, a meta era tentar comprar o enxoval do bebê. Segundo ela, a jornada era de segunda a sábado, das 9h às 19h, com apenas 30 minutos de intervalo. PMs são investigados por não levarem empresária à delegacia após denúncia Investigação apura conduta de agentes envolvidos no caso. Imagens de câmeras de segurança mostram o sargento Cerqueira dentro da casa Reprodução/TV Mirante Os quatro policiais militares que atenderam a ocorrência, identificados como sargento Cerqueira, cabo Henrique e os soldados De Sá e Yuri, estão sob investigação administrativa e foram afastados das funções nas ruas. Eles devem depor nesta semana, mas a data não foi informada. A investigação da conduta dos agentes começou após a divulgação de áudios em que a empresária afirma que não foi presa em flagrante por conhecer um dos policiais. Segundo Samara, os policiais chegaram à casa de Carolina, conversaram rapidamente com a empresária e, em seguida, a levaram para a Delegacia da Mulher. A TV Mirante teve acesso a imagens de câmeras de segurança próximas à casa de Carolina. Por volta das 10h30 do dia 17 de abril, os quatro policiais chegam ao local. Nas imagens, é possível ver o momento em que o sargento Cerqueira entra na casa. Em áudios obtidos pela investigação, Carolina descreve a abordagem feita pelos policiais. Em um dos trechos, ela afirma ter recebido orientações de um dos agentes para não contar que havia agredido a empregada. "Entra aí. Eu entrei aqui em casa e ele: 'tu não pode dizer que tu bateu, tu não pode confessar, tu é doida?'", disse Carolina em um dos áudios se referindo ao sargento. Ainda de acordo com a vítima, após a abordagem, os agentes questionaram repetidamente, durante o trajeto até a delegacia, se ela havia roubado o anel. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão, foi aberta investigação para apurar a conduta deles. Infográfico - Patroa suspeita de agredir empregada grávida é transferida para a Penitenciária de Pedrinhas Arte/g1